27/01/2013

Mas o meu pátio tem espaço, mãe... E o coração também!

E eu me vi perdida nos meus próprios pensamentos enquanto todos que estavam a minha volta conversavam. Eu me vi fora da conversa deles e da minha própria conversa. Foi quando reparei que estava parada olhando um serzinho tão pequeno no meu colo, tapado com meu blusão preto pois tremia de frio, foi aí que percebi que estava com os olhos embaçados, pensando em como seria se ele viesse para a minha casa, como seria se eu fosse cuidar dele, dar banho, dar comida e brincar. E pensei: Sorte de quem levar. E é verdade. Sorte de quem tiver tempo, dinheiro, paciência e amor suficiente para levar um cãozinho e dar um lar e um nome. Sorte das pessoas abençoadas com um bom coração ou com um imenso coração, daquele que faz jus ao ditado "É que nem coração de mãe, sempre cabe mais um." e acaba levando, sabendo que vai cuidar e sabendo que vai fazer companhia para os outros 3 que já estão no pátio. Feliz de quem tem um bichinho de estimação, seja ele um gato, um cão, um rato, um coelho.
Algumas semanas antes me deparei com uma cena parecida.. Eu com um vira latinha no colo, todo pretinho, parecia um ursinho de pelúcia! Me lambia os dedos e ao mesmo tempo me olhava com aquele olhar que dizia silenciosamente "Me leva" e eu, mesmo sabendo que as condições não eram favoráveis para tal pedido, me vi em um ato desesperado, discando o número da minha mãe inúmeras vezes (e todas deram na caixa postal) e em seguida o telefone do trabalho dela, infelizmente ela não estava e quando me retornou disse o que eu já sabia: "Não dá né filha, a gente não tem tempo, daqui a pouco começam tuas aulas da faculdade e não vais poder dar atenção pra ele." Concordei, já aceitando o fato de que o novo lar que ele teria, infelizmente não seria o meu. Concordei também pois sabia que de nada adiantaria eu levar o pequeno para casa se depois não fosse dar tudo o que ele precisasse. Me magoei. Fiquei com a cara amarrada e me vi diversas vezes com os olhos embaçados (que nem agora). Ouvi também do meu namorado o mesmo consolo "Não fica assim gorda, tu sabe que não tem como.." e sim, eu infelizmente sei, mas toda vez que eu passar pela Avenida no Cassino e ver um cesto, uma caixa de papelão ou um cercado com cachorrinhos para doação, eu vou pegá-los no colo, falar que nem uma retardada com eles e me ver de novo, no mesmo ato desesperado de telefonar para minha mãe e todas as vezes na esperança de ouvir uma resposta diferente.




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