18/08/2013

Insônia. Tristeza. Mudanças.

Hoje eu acordei combinando com o dia. Exato, acordei nublada e friorenta. Lógico que no sentido figurado da coisa, mas no sentido real quero dizer que acordei meio "quero ficar no meu canto e por favor, não me incomode". Na verdade, seria muito mais fácil contar nos dedos os dias em que não acordo assim. Mas hoje foi diferente, eu senti e sinto isso nesse início de madrugada, com os cadernos e xerox da faculdade ao lado e muitos pensamentos.

E na dúvida do que me atordoa eu repenso em todas as coisas que me tiraram o sono neste último mês.. Existem tantas coisas.. Como por exemplo: as pessoas que amo e estão longe e não deveriam estar, o fato de animais continuarem na rua, o fato de ter gente passando fome. Como existem cães/gatos na rua se são animais tão fofos e que não incomodam ninguém, pelo contrário, só trazem alegria para a vida das pessoas? E como existem pessoas que passam fome quando, em minha casa, eu tenho tudo o que desejo? Na hora em que desejo? Isso realmente tira o meu sono.

Esses dias ocorreu um fato enquanto eu estava no supermercado fazendo compras com o meu namorado. Compras leia-se bobagens típicas de um casal de adolescentes. Entre as compras: refrigerantes, chips e mais algumas bobagens. Quando estávamos no caixa, uma senhora, que é moradora de rua e bem conhecida aqui pela cidade, pediu para duas moças que estavam em caixas opostos ao meu para passarem um pacote de bolachas pra ela pois provavelmente não tinha dinheiro e estava com fome. As duas se negaram. E nos seus carrinhos, as mesmas bobagens que as minhas e mais alguns alimentos sólidos. Aquilo me partiu o coração sabe? Me deixou de queixo caído e com o coração na mão e lágrimas nos olhos. Então, como qualquer pessoa com consciência e coração faria, chamei a senhora e disse "Pode deixar que eu passo pra ti" e ela me olhou com olhos de como quem pensa "Tu realmente notou minha presença sem eu vir te pedir algo? Tu realmente vai fazer isso por mim?" e aquilo me deixou mais magoada ainda, pelo fato de ela saber que poucas pessoas a notam e quando notam é pelo motivo de ela estar pedindo por fome. Quando eu fiz isso, até a moça do caixa me olhou com olhos diferentes, na verdade, para ser sincera, eu senti que ela estava com cara de nojo. Nojo? Foi isso mesmo que eu interpretei nos olhos dela? Ela que deveria sentir nojo dela mesma por essa atitude. Mas, como disse meu namorado no dia: não posso julgar os outros sem saber o que se passa na vida de cada um. E sabem qual foi o valor do pacote de bolachas? R$ 2.88. Isso mesmo. E realmente tiveram pessoas que se negaram a fazer isso, uma vez na vida, uma vez no mês, na semana que fosse, mas se negaram. Mas, como disse meu namorado no dia: não posso julgar os outros sem saber o que passa na vida de cada um. Fiquei espantada quando vi o preço da bolacha e quando olhei para as duas mulheres que haviam negado o pedido da senhora, era tão baixo e tão insignificante perto do ato de dar algo de comer para quem não tem. Mas, como disse meu namorado no dia: não posso julgar os outros sem saber o que passa na vida de cada um. Passei as minhas compras, o pacote de bolacha da senhora e quando ela pegou as bolachas me olhou e disse "Muito obrigada." e eu só respondi "Não precisa agradecer, a senhora merece." e ela humildemente respondeu: "Tá bem".
Aquele ato me fez pensar demais, me fez repensar muito. Quando saímos do caixa, virei pura indignação e lágrimas. Mas, como disse meu namorado no dia: não posso julgar os outros sem saber o que passa na vida de cada um. Saímos dali já conversando sobre o ocorrido e eu defendendo a minha brabeza, misturada com tristeza e solidariedade, quando ele me disse que eu não podia julgar os outros, que nem todo mundo é tão bom, que nem todo mundo pensa no outro, que nem todo mundo quer ajudar.. Fiquei mais indignada ainda. Como alguém pode não querer ajudar? Como alguém pode não se importar? Mas, como disse meu namorado no dia: não posso julgar os outros sem saber o que passa na vida de cada um. Caíram mais algumas lágrimas dos meus olhos enquanto continuava defendendo o meu lado da história e enquanto ele me dizia as mesmas palavras repetidamente até que então, parei e prestei real atenção em suas palavras:  tu não pode julgar os outros sem saber o que passa na vida deles. E então minha ficha caiu. Ok! Eu não poderia julgar ninguém e entendi aquilo, mas fiquei tão angustiada ao saber que, se eu não estivesse presente ali, ela teria continuado passado fome ou até quem sabe outra pessoa fosse pagar, mas e se não o fizessem? Se não quisessem ajudar? E se um dia aquelas mesmas pessoas precisarem de ajuda? Precisarem de dinheiro? Precisarem de comida fornecida pelos outros para não passarem fome? Será que elas já pararam para pensar nisso? Ou sequer pensaram no ocorrido como eu? Duvido muito mas, como disse meu namorado no dia: não posso julgar os outros sem saber o que passa na vida de cada um. E sabe o motivo de eu estar repetindo inúmeras vezes a frase que ele me disse? Pois depois desse dia eu a uso como um mantra. Eu não posso julgar os outros, ficar braba por não terem as mesmas atitudes que eu tenho/teria, não posso querer dar na cara daquelas duas mulheres e dizer algumas coisas que ficaram entaladas na garganta no momento em que vi a cara de desprezo delas para a senhora. Como uma futura psicóloga, jamais faria isso. Jamais julgaria, estapearia alguém, falaria o que eu queria que elas ouvissem ou então acharia que deveria ter as mesmas atitudes de outra pessoa. Como uma futura psicóloga eu caí na real, vi que estava fugindo da realidade e misturando as coisas, uma coisa que jamais será aceita na minha profissão. Isso é óbvio. Mas como futura psicóloga, uma coisa digo-lhes com certeza: Nunca deixarei de ajudar ao próximo por qualquer motivo que seja. Independente se for um pacote de bolachas, de pães, de massa, um litro de leite. Eu tenho a necessidade e a vontade de ajudar os outros quando está ao meu alcance e sempre que puder, o farei.
E como futura psicóloga digo mais: Se vocês querem ser pessoas melhores, mudem suas atitudes. O mundo será muito melhor com solidariedade, compaixão e amor ao próximo.

2 comentários:

  1. AMEI! Me emocionei demais e agiria da mesma forma Júlia! São de pessoas como tu que o mundo está precisando. Infelizmente a indiferença com o próximo ainda existe e em uma proporção assustadora...Precisamos de mais pessoas pensando desse forma e não somente pensando, mas também agindo! Parabéns pelas palavras e pela atitude simples, porém linda e generosa! Beijinhos.

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